Nos encontramos numa sociedade que valoriza ao máximo a aquisição de conhecimento. Com a democratização da informação grande parte da população brasileira iniciou-se no processo de desbravamento dos recursos dispostos na internet. No entanto, na internet, a disseminação de informação e conhecimento é tão alta que muitas dessas informações compartilhadas são completamente supérfulas. Com isso, chegamos a uma primeira conclusão: Ter acesso à informação e a uma gama variada de conhecimento não é suficiente para incluir uma pessoa no mundo digital, é preciso, antes, ser definido com que objetivo um ser acessaria os dados e desfrutaria das facilidades fornecidas pelas atuais ferramentas tecnológicas. É importante que o cidadão saiba usar essas ferramentas como um auxílio social, que o ajudará no trabalho, nos contatos, na educação. E é importante que tal cidadão seja membro participativo, colaborador e compartilhador do conhecimento já adquirido, e que tenha acesso contínuo a esses recursos.
O objetivo da inclusão digital não é simplesmente tornar tecnologias acessíveis, mas sim fazer com que elas se tornem instrumentos de inclusão também social. No Brasil, as políticas de inclusão digital não são, em todo, satisfatórias, tomando como referência países de "primeiro mundo", onde uma parcela enorme da população tem acesso à internet em casa. Não adianta tentar comparar-se aos países cujo desenvolvimento sócio-digital não é relevante, temos de tentar elevar os níveis dos projetos de inclusão, de forma que eles se tornem o mais efetivos possíveis.
Talvez, o que tem atrapalhado o Brasil no desenvolvimento de políticas de inclusão digital, são as outras desigualdades encontradas e que ainda não foram resolvidas, como o acesso a um sistema público de saúde de qualidade, acesso à educação pública de qualidade, etc.
É importante observar que nos países desenlvovidos o acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) é muito bem valorizado, e se esse comprometimento fosse aplicado nos países subdesenvolvidos, como o Brasil, lhes seriam proporcionados "pulos" nas etapas de desenvolvimento por causa do consequente aumento de produtividade e redução de custos.
Em termos práticos, o que tem sido realizado no Brasil quanto à promoção da inclusão digital?
Por consequencia da Lei de Informática, as cargas tributárias aplicadas no setor das TICs são diferenciadas, e isso provocou um aumento substancial na quantidade de investimentos em tal setor. Há também os incentivos aplicados ao desenvolvimento e pesquisa. Com isso estima-se que o setor de TICs no Brasil tenha crescido 30% entre 1995 e 2001 e que aproximadamente US$ 1 bilhão tenha sido investido em P & D entre 1993 e 1999.
Uma característica marcante no modelo de inclusão digital Brasileiro é a implantação de Software Livre, o que resulta numa intensa redução de custos, e ajuda a desenvolver a produção local de software, tendo em vista que não usadas as ferramentas pagas, algumas que chegam a, inclusive, "monopolizar" o mercado de software de sua área de aplicação.
O que há de errado com o sistema de inclusão digital implantado no Brasil?
Existe um sério problema de gerenciamento orçamentário e de aplicação dos investimentos no Brasil. Nem sempre o dinheiro que é investido é inteiramente gasto nos projetos a que foram destinados. Diversos impedimentos jurídicos e até mesmo corrupção provocam barreiras nesse processo de gestão financeira.
Além desses fatores, as políticas de inclusão digital - não somente no Brasil - necessitam de conhecimento mais aprofundado sobre os impactos provocados pela adoção em massa das Tecnologias da Informação e comunicação. Isso faz com que os planejadores de tais políticas não tenham recursos suficientes para ajudá-los a construir programas mais eficientes, e que tenham seus recursos otimizados para evitar os gastos desnecessários.