segunda-feira, 29 de junho de 2009

Tecnologia x desemprego

Talvez o problema mais grave que se coloca no inicio do terceiro milênio é a ameaça do chamado desemprego tecnológico, ou seja, o desemprego gerado pela combinação da utilização em grande escala da tecnologia de informática e telecomunicações aliada às novas técnicas gerenciais como meio de aumentar a produtividade das empresas com a conseqüente redução da necessidade mão-de-obra.

Em função de um mercado altamente competitivo, as organizações procuram utilizar-se cada vez mais da tecnologia na busca da economia de recursos, da elevação nos níveis de produtividade e do melhor controle dos processos. Tal procura atinge uma quantidade enorme de grandes e pequenas instituições, que atuam nos mais variados ramos de negócio.

Fica evidente que a questão da reformulação dos processos de trabalho, através da utilização de novas tecnologias pode tornar irreversível a eliminação de um posto de trabalho. No entanto, não se pode negar à sociedade as facilidades decorrentes dos avanços de tal utilização e, para evitar que a tecnologia contribua para elevar os níveis de desemprego, deve ser buscada a abertura de um novo posto, com a recolocação daquele que foi afastado em decorrência da modernização dos serviços. No entanto, o problema é que a velocidade da eliminação de postos de trabalho, em função da introdução de novas tecnologias, vem sendo mais rápida do que a recolocação do indivíduo.

Dentro do quadro atual de emprego no Brasil, são normalmente apresentadas por diversos estudiosos da questão, duas fórmulas, não necessariamente excludentes, para minimizar os níveis de desemprego causado pela introdução da informática nas organizações: a redução da jornada de trabalho e/ou a requalificação da mão-de-obra.

Tratando da primeira forma, aqueles que a defendem, consideram que a redução da carga horária semanal da mão-de-obra amplia os postos de trabalho, além de permitir um tempo maior para que o trabalhador possa dedicar-se à reciclagem ou, até mesmo, desfrutar mais do lazer.

Por outro lado, existem os que consideram que, com a requalificação, o trabalhador consegue nova colocação no mercado de trabalho, com isto passa-se a tratar a questão do emprego como uma relação educação-trabalho. Dentro desta ótica, pode ser elevado o nível de exigência da qualificação profissional, exigindo-se, assim, que o indivíduo ocupe cada vez mais horas de lazer na busca da atualização de conhecimento.

Manoel Castells chegou a dizer: “A nova economia aumentaria a importância das profissões com grande conteúdo de informação e conhecimentos em suas atividades. As profissões administrativas, especializadas e técnicas cresceriam mais rápido que qualquer outra e constituiriam o cerne da nova estrutura social” (CASTELLS,1999:267).

Assim, após um período de ajustes, a eliminação de empregos nos setores convencionais seria largamente compensada por uma grande oferta de colocações. Essas no entanto, exigiriam alta qualificação profissional.

Vamos analisar de início como cada país deverá agir para se inserir na nova economia. O que fica claro a partir de discursos e escritos de empresários e economistas é o seguinte:

É necessário o aumento de produtividade mesmo a custa do aumento do desemprego, isso porque:O superávit gerado poderá assim ser usado para criar novos empregos.

Alem do mais, alegam que a expansão do comércio global faria com que essa competição entre nações não tivesse como resultado uma “soma zero” ou seja, o aumento da riqueza global na realidade faria com que o superávit obtido por cada país fosse maior a cada ano de modo que todos ganhariam.

É ai que está o problema de fato. Porque o que estamos observando é o seguinte:

As empresas tem se valido das novas tecnologias para transferir empregos de seus países para outros onde a mão-de-obra é mais barata.
O superávit obtido é investido em cada vez mais tecnologias substitutivas de mão-de-obra em seus próprios países.
Os governos nacionais são cada vez mais impotentes para influir sobre qualquer decisão importante que envolva a economia global.

A nível internacional, o que notamos é que, países com sólidos investimentos na área de educação, tem uma "recuperação" melhor desses desempregos causados pela evolução das TI.

fontes:
http://www.revistatemalivre.com/informatica08.html
http://www.espacoacademico.com.br/036/36ccesar.htm