segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Ética ao longo da História

Etimologicamente, Ética radica de palavra grega ethos, que significa costume. Mas os costumes são determinados pelos valores morais e pelas leis vigentes, as quais condicionam a conduta humana numa determinada época. Assim se explica, por exemplo, que repudiemos a escravatura mas que sejamos capazes de perceber que á luz da época era uma prática considerada normal por estar dentro dos parâmetros consensuais vigentes.
A evolução do conceito de ética tem sido determinados pela mudança de hábitos, costumes sociais e padrões morais que determinam a conduta dos indivíduos perante a sociedade onde se inserem, ao longo de várias épocas históricas, mas também da moral e das leis vigentes. É nesta perspectiva que surge a Ética. Importa então saber quais os critérios que determinaram, ao longo da História, o padrão de conduta que as sociedades foram adotando para definir o comportamento ético.
Há uma enorme diversidade de critérios e condicionantes sociais que podem determinar as regras de conduta do indivíduo em diversas épocas ou numa mesma época. Por exemplo, muitas sociedades tribais encaram o nudismo como fato normal. Mas será normal que um cidadão ocidental passei, nessas condições, pelas ruas da cidade? Com certeza não, será considerado atentado ao pudor, no entanto o nudismo é aceito em determinadas épocas , locais e/ou circunstancias. Somos assim chegados a um dos critérios fundamentais que determina as regras de conduta do um indivíduo: a pressão e o contexto social. Através deste critério, a sociedade pressiona o indivíduo a adotar determinados comportamentos que, não sendo respeitados, poderão ser impostas através de normas civis, as leis.

Ética e a civilização Grega.

A Ética tinha, entre os Gregos, uma relação muito estreita com a Política, tendo como base a cidadania e a forma de organização social. Entende-se porque. Atenas era o ponto de encontro da cultura grega onde nasceu uma democracia com assembléias populares e tribunais e as teorias éticas incidiam sobre a relação entre o cidadão e a polis ( cidades-estado), em que a conduta do individuo era determinante para se obter o bem-estar coletivo. Apesar de diferenças conceptuais de várias correntes filosóficas ( pode-se falar se uma aristotélica , de uma ética socrática ou platônica), pode-se dizer que todas tem um denominador em comum: o homem deverá pôr seus conhecimentos a serviço da sociedade, de modo que cada um de seus membros possa ser feliz.

A Ética na idade média.

Na idade média o conceito de ética altera-se radicalmente. Desliga-se da natureza para se unir com moral cristã. Durante muitos séculos a influencia da igreja impede que nas sociedades européias a Ética se afaste das normas que ela própria dita: Deus é identificado como o Bem, a Justiça e a Verdade, o modelo que todos devem procurar seguir para atingir a felicidade e a Salvação. Santo Agostinho e São Tomás de Aquino são expoentes máximos da Idade Média, coincidindo na defesa do princípio de que só encontro do Homem com Deus lhe permitirá atingir a felicidade. Para isso será, no entanto necessário respeitar as regras que a igreja impõe. Ética e Moral fundiam-se numa mistura que a igreja considerava perfeita. Durante este período a Ética deixou de ser opção ou orientação para indivíduos. Para ser imposta, confundindo-se com a Religião e a Moral.

Contemporânea.

A grande ruptura no conceito de ética surge, porem, na Idade Contemporânea, quando se começam a definir alguns ramos diferenciados aplicados aos diferenciados campos do saber e das atividades do ser humano. No século XIX a Ética deixa de ser apenas normativa, de se limitar a classificar as ações do ser humano como boas e más, e começa a surgir a noção de “Ética aplicada”, que estabelece as regras das áreas especificas e analisa os comportamentos adequados a seguir em situações concretas. Os fundamentos da Moral são postos em causa, a Ciência e a Economia substituem a religião como “ordem suprema”. Começa-se a falar se “ética utilitarista” que defende que tudo o que contribua para o social é bom, ou de “ética revolucionária” que incentiva os cidadãos a mobilizarem-se na reconstrução de uma sociedade mais justa. Já na segunda metade do século XX não se fala numa Ética normativa Universal, mas sim numa multiplicidade de éticas, sendo aplicada a diversas áreas profissionais como economia, política e ciência política, conduzindo a muitos distintos e não-relacionados campos de ética aplicada.