A humanidade confronta, atualmente, um nível de dissipação cultural jamais visto antes, e que aumenta a cada dia.
Como uma das conseqüências do avanço das tecnologias relacionadas à informática /computação e do enfraquecimento do pensamento popular que relacionava apetrechos tecnológicos a muitas botões e termos “complicados”, temos uma crescente popularização de tecnologias de transporte de informação, como a Internet e mídias ópticas, como o CD, o DVD e, mais recente, o Blu-Ray. Essa popularização é, para a humanidade, não necessariamente a pesos iguais, uma faca de dois gumes.
Por um lado, temos a virtualização de confrontos reais, que, até certo ponto, faz com que pessoas percam o medo de postar suas respectivas opiniões acerca de variados assuntos, pois, a personalidade virtual do indivíduo existe como um reflexo da real, e nunca poderá, tomadas as devidas precauções, atingir a pessoa diretamente. Infelizmente, este fato é benéfico apenas em uma pequena parcela dos casos, tendo em vista que a grande maioria das opiniões repassadas de maneira informal por via da Internet pertence a um contexto banal.
Infelizmente, não deixa de ser verdade, para grande parte da população, o que foi dito por Mark Bauerlein em seu livro "The Dumbest Generation”(“A geração mais estúpida”):
A Internet me deixou burro demais.
Pois a esmagadora maioria da informação pesquisada e lida na Internet faz parte desta frente banal que insiste em pesar a balança para o lado, na falta de expressão melhor, “maléfico” da Internet, recusando-se, às vezes de forma intencional, a enxergar o verdadeiro potencial desta ferramenta magnífica que pode contribuir muito mais com a humanidade do que apenas com sítios de relacionamento pessoal e trocas de piadas por via de correio eletrônico.
Na contramão, temos o meio mais rápido de comunicação que a humanidade jamais tinha presenciado; em poucos instantes, um estudante consegui informações sobre as últimas tendências no tratamento contra o câncer, e um médico de Berlim faz uma operação em um britânico, assessorado por um brasileiro e assistido por um norte-americano, com cada qual em seu país natal.
Nunca na humanidade ficou tão fácil divulgar informações, e isso tem trazido um grande avanço em todas as áreas. Por exemplo, a Wikimedia, que tem os mais diversos portais wikis, como Wikipedia, Wiktionary, Wikisource, Wikibooks. A Wikipedia (o mais famoso serviço) é normalmente tratada como a “enciclopédia mãe”, um grandessíssimo repositório sobre o conhecimento humano em constante expansão e de altíssima confiabilidade.
Acreditamos na Internet, e em seu potencial como ferramenta benéfica a humanidade, mas também acreditamos que deva existir uma separação nítida entre o que é “Internet” e o que é “Vida Real”, para que não haja um mesclamento tão grande a ponto de a pessoalidade e a individualidade serem prejudicadas.
O poder de disseminação de conhecimento e de informações digitais é o grande forte da Internet pelo nosso entender, só que esse também é o grande ponto controverso da mesma, o que já levou várias pessoas aos tribunais por todo o mundo (vide a webcomic http://xkcd.com/553/ ironizando a situação que houve com a Pirate Bay). Um dos grandes pontos a ser discutido nesse novo mundo que está apenas emergindo da internet é a questão dos “Direitos Autorais”, pois virtualmente qualquer informação que caia na grande rede vira pública e aqueles que tem acesso a ela são anônimos.
Muitos artistas e muitas gravadoras (principalmente gravadoras) estão sendo “prejudicados” com a troca de informação em formato binário de performances artísticas. Um dos grandes episódios sobre o assunto foi justamente sobre o Napster, quando um jovem estudante universitário americano resolve criar um mecanismo fácil e intuitivo para poder dividir músicas e vídeos com seus colegas de faculdade. A idéia do Napster foi tão bem-sucedida que se espalhou rapidamente por todo o MUNDO, ocasionando uma grande troca de arquivos binários com extensão mp3 de vários artistas, o que causou a ira das gravadoras e culminou com o fechamento do Napster.
Porém, o Napster deixou um legado, e em pouco tempo já existiam vários outros programas para a “redistribuição” de arquivos digitais pessoa-a-pessoa (P2P), como o Kazaa e os vários servidores torrents.
Um dos grandes protagonistas dessa grande confusão foi simplesmente citado, mas ele merece mais destaque: o arquivo de áudio MPEG Audio Layer 3, vulgo MP3. Esse arquivo surgiu depois de pelo menos um século de descobertas e pesquisas (http://en.wikipedia.org/wiki/Mp3), garantindo a capadidade de não perder em qualidade (para os padrões humanos, claro) o que o meio analógico representa porém com uma compactação bem alta.
Como resultado da simples existência de arquivos MP3, em alguns anos surgiu software próprio para interpretá-lo e enviá-lo como formato de som para o hardware específico (placa de som e então caixa de som), no caso o Winamp, outro ator na confusão que envolveu Napster, Metallica, gravadoras, internet e arquivos MP3. Graças ao Winamp (e ao mpg123 no mundo UNIX) a popularização do MP3 começou a subir rapidamente e várias pessoas no final do século XX que tinham acesso a internet já tinham baixado pelo menos uma dúzia de arquivos de música na internet.
Tudo bem, mas como foi possível as músicas pararem dentro do computador?
Primeiro, na época, o principal meio de veiculação de músicas para o consumidor final era o famoso CD de áudio; segundo, em contra-partida ao CD de áudio, também existia o CD de dados, que basicamente só tem utilidade quando usado em um equipamento próprio para ler dados; terceiro, o equipamento ideal para se ler dados é um dispositivo eletrônico chamado computador, logo o computador já tinha um hardware específico para ler CD's; quarto, se existe CD, por que não transformá-lo em informação digital para que eu possa colocar as músicas que eu quisesse dos CD's que eu quisesse na ordem que eu quisesse sem ter de ficar manualmente trocando CD-a-CD e faixa-a-faixa?
E assim as pessoas começaram e compactar CD's de áudio para o computador no formato de arquivos MP3 e alguém teve a idéia de compartilhar de maneira fácil e criou o Napster, que acabou sendo fechado por questão de direitos autorais. Entretanto, um não tão jovem mas inimaginavelmente visionário Steve Jobs teve a idéia de vender arquivos MP3, criando assim o iTunes (pelo qual se compra as músicas) e o iPod (artefato eletrônico supérfluo, mas que serviu para substituir o toca-disco “portátil” entre aspas duplas mesmo), grandes “inventos” que fizeram a Apple ter sua renda multiplicada enormemente.
O CD, cujas pesquisas preliminares começaram por volta de 1975, com o intuito de meio de venda de áudio surgiu para substituir o velho, grande e frágil LP, e obteve grande sucesso em seu intuito. Outra consequência de sua simples existência foi que o maquinário necessário para rodar o LP foi substituído por uma unidade que gira aliada de um braço mecânico com um laser, compactando o tamanho mínimo necessário de 120 mm (contra os 250-300mm do conhecido “bolachão”), e com uma capacidade de armazenamento duas vezes maior (22min por lado do LP, totalizando 44min; contra 80min do CD). O velho LP agora está voltando à tona devido a sua qualidade superior de som, mas ainda é uma pequena minoria (normalmente de fãs aficcionados vidrados no artista em questão) quem compra, sendo que possivelmente não virá a ser novamente mercado de larga escala.
Voltando ao mundo mais de bits e bytes, temos por volta das décadas de 70 a 80 a célebre briga entre Apple e Microsoft, que disputavam arduamente o mercado de PC's; com vários episódios de roubos, piratarias, espionagem industrial, essa guerra conseguiu até gerar um filme lançado em 1999: Os Piratas do Vale do Silício (The Pirates of Silicon Valley), que certamente trata desse assunto muito melhor do que poderíamos descrever em um curto texto.
Algo que vale a pena ressaltar, em nossa humildade perante o filme (e ao livro, “Fire in the Valley: The Making of The Personal Computer” de Paul Freiberger e Michael Swaine, que deu origem ao filme), é o surgimento da interface gráfica com o projeto Lisa da Apple (um dos primeiros PC's com interface gráfica) e o Windows (produto da Microsoft capaz de gerenciar janelas; outra GUI (graphical User Interface)). Ambos tiveram seus fundamentos baseados em estudos da Xerox (http://en.wikipedia.org/wiki/Graphical_user_interface).
O advento da GUI foi fundamental para a popularização dos PC's tal qual os conhecemos: um monitor interagível através do “aponte-e-clique”. Tal advento permitiu que pessoas com nenhum conhecimento da área conseguisse interagir de maneira eficiente e intuitiva com tais dispositivos, além de possibilitar uma série de outros usos não-alfanuméricos para os computadores, como por exemplo os jogos digitais (um dos mercados mais influentes do mundo, comparável com o de filmes), CAD's (desenho assistido por computador), armazenar e exibir fotos e filmes, controlar quase todas as funções antes só tangíveis pela linha de comando com poucos cliques de mouse, ver uma pessoa à distância de um continente através de bate-papos, controlar a estruturação das pastas internas do computador vendo a árvore de pastas, dentre muitos outros.