segunda-feira, 1 de junho de 2009

Influência das evoluções da tecnologia em diversos aspectos

A humanidade confronta, atualmente, um nível de dissipação cultural jamais visto antes, e que aumenta a cada dia.

Como uma das conseqüências do avanço das tecnologias relacionadas à informática /computação e do enfraquecimento do pensamento popular que relacionava apetrechos tecnológicos a muitas botões e termos “complicados”, temos uma crescente popularização de tecnologias de transporte de informação, como a Internet e mídias ópticas, como o CD, o DVD e, mais recente, o Blu-Ray. Essa popularização é, para a humanidade, não necessariamente a pesos iguais, uma faca de dois gumes.

Por um lado, temos a virtualização de confrontos reais, que, até certo ponto, faz com que pessoas percam o medo de postar suas respectivas opiniões acerca de variados assuntos, pois, a personalidade virtual do indivíduo existe como um reflexo da real, e nunca poderá, tomadas as devidas precauções, atingir a pessoa diretamente. Infelizmente, este fato é benéfico apenas em uma pequena parcela dos casos, tendo em vista que a grande maioria das opiniões repassadas de maneira informal por via da Internet pertence a um contexto banal.

Infelizmente, não deixa de ser verdade, para grande parte da população, o que foi dito por Mark Bauerlein em seu livro "The Dumbest Generation”(“A geração mais estúpida”):

A Internet me deixou burro demais.

Pois a esmagadora maioria da informação pesquisada e lida na Internet faz parte desta frente banal que insiste em pesar a balança para o lado, na falta de expressão melhor, “maléfico” da Internet, recusando-se, às vezes de forma intencional, a enxergar o verdadeiro potencial desta ferramenta magnífica que pode contribuir muito mais com a humanidade do que apenas com sítios de relacionamento pessoal e trocas de piadas por via de correio eletrônico.

Na contramão, temos o meio mais rápido de comunicação que a humanidade jamais tinha presenciado; em poucos instantes, um estudante consegui informações sobre as últimas tendências no tratamento contra o câncer, e um médico de Berlim faz uma operação em um britânico, assessorado por um brasileiro e assistido por um norte-americano, com cada qual em seu país natal.

Nunca na humanidade ficou tão fácil divulgar informações, e isso tem trazido um grande avanço em todas as áreas. Por exemplo, a Wikimedia, que tem os mais diversos portais wikis, como Wikipedia, Wiktionary, Wikisource, Wikibooks. A Wikipedia (o mais famoso serviço) é normalmente tratada como a “enciclopédia mãe”, um grandessíssimo repositório sobre o conhecimento humano em constante expansão e de altíssima confiabilidade.

Acreditamos na Internet, e em seu potencial como ferramenta benéfica a humanidade, mas também acreditamos que deva existir uma separação nítida entre o que é “Internet” e o que é “Vida Real”, para que não haja um mesclamento tão grande a ponto de a pessoalidade e a individualidade serem prejudicadas.

O poder de disseminação de conhecimento e de informações digitais é o grande forte da Internet pelo nosso entender, só que esse também é o grande ponto controverso da mesma, o que já levou várias pessoas aos tribunais por todo o mundo (vide a webcomic http://xkcd.com/553/ ironizando a situação que houve com a Pirate Bay). Um dos grandes pontos a ser discutido nesse novo mundo que está apenas emergindo da internet é a questão dos “Direitos Autorais”, pois virtualmente qualquer informação que caia na grande rede vira pública e aqueles que tem acesso a ela são anônimos.

Muitos artistas e muitas gravadoras (principalmente gravadoras) estão sendo “prejudicados” com a troca de informação em formato binário de performances artísticas. Um dos grandes episódios sobre o assunto foi justamente sobre o Napster, quando um jovem estudante universitário americano resolve criar um mecanismo fácil e intuitivo para poder dividir músicas e vídeos com seus colegas de faculdade. A idéia do Napster foi tão bem-sucedida que se espalhou rapidamente por todo o MUNDO, ocasionando uma grande troca de arquivos binários com extensão mp3 de vários artistas, o que causou a ira das gravadoras e culminou com o fechamento do Napster.

Porém, o Napster deixou um legado, e em pouco tempo já existiam vários outros programas para a “redistribuição” de arquivos digitais pessoa-a-pessoa (P2P), como o Kazaa e os vários servidores torrents.

Um dos grandes protagonistas dessa grande confusão foi simplesmente citado, mas ele merece mais destaque: o arquivo de áudio MPEG Audio Layer 3, vulgo MP3. Esse arquivo surgiu depois de pelo menos um século de descobertas e pesquisas (http://en.wikipedia.org/wiki/Mp3), garantindo a capadidade de não perder em qualidade (para os padrões humanos, claro) o que o meio analógico representa porém com uma compactação bem alta.

Como resultado da simples existência de arquivos MP3, em alguns anos surgiu software próprio para interpretá-lo e enviá-lo como formato de som para o hardware específico (placa de som e então caixa de som), no caso o Winamp, outro ator na confusão que envolveu Napster, Metallica, gravadoras, internet e arquivos MP3. Graças ao Winamp (e ao mpg123 no mundo UNIX) a popularização do MP3 começou a subir rapidamente e várias pessoas no final do século XX que tinham acesso a internet já tinham baixado pelo menos uma dúzia de arquivos de música na internet.

Tudo bem, mas como foi possível as músicas pararem dentro do computador?

Primeiro, na época, o principal meio de veiculação de músicas para o consumidor final era o famoso CD de áudio; segundo, em contra-partida ao CD de áudio, também existia o CD de dados, que basicamente só tem utilidade quando usado em um equipamento próprio para ler dados; terceiro, o equipamento ideal para se ler dados é um dispositivo eletrônico chamado computador, logo o computador já tinha um hardware específico para ler CD's; quarto, se existe CD, por que não transformá-lo em informação digital para que eu possa colocar as músicas que eu quisesse dos CD's que eu quisesse na ordem que eu quisesse sem ter de ficar manualmente trocando CD-a-CD e faixa-a-faixa?

E assim as pessoas começaram e compactar CD's de áudio para o computador no formato de arquivos MP3 e alguém teve a idéia de compartilhar de maneira fácil e criou o Napster, que acabou sendo fechado por questão de direitos autorais. Entretanto, um não tão jovem mas inimaginavelmente visionário Steve Jobs teve a idéia de vender arquivos MP3, criando assim o iTunes (pelo qual se compra as músicas) e o iPod (artefato eletrônico supérfluo, mas que serviu para substituir o toca-disco “portátil” entre aspas duplas mesmo), grandes “inventos” que fizeram a Apple ter sua renda multiplicada enormemente.

O CD, cujas pesquisas preliminares começaram por volta de 1975, com o intuito de meio de venda de áudio surgiu para substituir o velho, grande e frágil LP, e obteve grande sucesso em seu intuito. Outra consequência de sua simples existência foi que o maquinário necessário para rodar o LP foi substituído por uma unidade que gira aliada de um braço mecânico com um laser, compactando o tamanho mínimo necessário de 120 mm (contra os 250-300mm do conhecido “bolachão”), e com uma capacidade de armazenamento duas vezes maior (22min por lado do LP, totalizando 44min; contra 80min do CD). O velho LP agora está voltando à tona devido a sua qualidade superior de som, mas ainda é uma pequena minoria (normalmente de fãs aficcionados vidrados no artista em questão) quem compra, sendo que possivelmente não virá a ser novamente mercado de larga escala.

Voltando ao mundo mais de bits e bytes, temos por volta das décadas de 70 a 80 a célebre briga entre Apple e Microsoft, que disputavam arduamente o mercado de PC's; com vários episódios de roubos, piratarias, espionagem industrial, essa guerra conseguiu até gerar um filme lançado em 1999: Os Piratas do Vale do Silício (The Pirates of Silicon Valley), que certamente trata desse assunto muito melhor do que poderíamos descrever em um curto texto.

Algo que vale a pena ressaltar, em nossa humildade perante o filme (e ao livro, “Fire in the Valley: The Making of The Personal Computerde Paul Freiberger e Michael Swaine, que deu origem ao filme), é o surgimento da interface gráfica com o projeto Lisa da Apple (um dos primeiros PC's com interface gráfica) e o Windows (produto da Microsoft capaz de gerenciar janelas; outra GUI (graphical User Interface)). Ambos tiveram seus fundamentos baseados em estudos da Xerox (http://en.wikipedia.org/wiki/Graphical_user_interface).

O advento da GUI foi fundamental para a popularização dos PC's tal qual os conhecemos: um monitor interagível através do “aponte-e-clique”. Tal advento permitiu que pessoas com nenhum conhecimento da área conseguisse interagir de maneira eficiente e intuitiva com tais dispositivos, além de possibilitar uma série de outros usos não-alfanuméricos para os computadores, como por exemplo os jogos digitais (um dos mercados mais influentes do mundo, comparável com o de filmes), CAD's (desenho assistido por computador), armazenar e exibir fotos e filmes, controlar quase todas as funções antes só tangíveis pela linha de comando com poucos cliques de mouse, ver uma pessoa à distância de um continente através de bate-papos, controlar a estruturação das pastas internas do computador vendo a árvore de pastas, dentre muitos outros.

4 comentários:

  1. A meu ver, a evolução da tecnologia, principalmente na área da
    computação, trouxe mudanças signficativas e que, até algumas poucas
    décadas atrás, poderiam ser chamadas de utópicas.
    Ao longo da história do homem, nós aprendemos a contar, organizar,
    criamos e regulamentamos as leis que regem a lógica, a física, a
    matemática, etc.
    Mas ao longo do tempo surgiu a necessidade de tornar coisas como
    realizar cálculos, equações astronômicas e físicas, até mesmo o trabalho
    físico mais fácil. Foi então que começaram a surgir as máquinas mecânicas.
    Após longa evolução dessas máquinas, nos meados de 1980 começaram a
    surgir o que podemos chamar de "máquinas inteligentes."
    Começaram a surgir máquinas cujo objetivo não era mais o trabalho físico
    bruto, como produzir uma roupa de algodão ou moer cana, mas sim máquinas
    capazes de realizar operações matemáticas, analisar dados complexos e
    com resultados mais precisos.
    E agora com essa evolução na tecnologia, era possível até mesmo
    aprimorar as "máquinas mecânicas", tornando-as mais precisas e
    funcionais, como por exemplo na revolução industrial, em 1801 foi
    inventado um tear mecânico cujos padrões de cores eram definidos por um
    cartão perfurado.
    Mas foi em 1837 que Charles Babbage projetou um "calculador analítico",
    o que é bem próximo da concepção de um computador atual.
    Seguidas pelas diversas evoluções que a tecnologia e a informação foram
    tendo, poderíamos dizer que o homem evoluiu junto. Com o advento da
    internet e dos telefones móveis, os sistemas de transmissão de televisão
    mundial via satélites, tudo isso resultou numa melhora
    na transmissão de informações, tornando o acesso a qualquer informação
    mais rápido e fácil. Com o advento das linguagens de programação,
    estruturas de dados ainda mais complexas foram sendo criadas, indo desde
    caixas eletrônicos de bancos, a sistemas que controlam atualmente, um
    complexo industrial inteiro com alguns poucos comandos.
    Essa evolução da informatização trouxe, além dos seus benefícios,
    grandes males. A quantidade de informação disponível cresceu em uma
    escala incalculável, tanto que seria impossível arquivar, documentar e
    revisar toda a informação contida na rede mundial de computadores.
    O problema se encontra na qualidade dessas informações. Enquanto a
    quantidade é excepcional, a qualidade deixa muito a desejar. Fala-se que
    a internet tem nos deixado cada vez mais burros, e que o avanço de muita
    tecnologia nos faz preguiçosos e dependentes.
    Falando um pouco da parte de como a evolução das tecnologias de
    informação se entrelaçam com seus períodos econômicos, podemos dizer que
    sempre que há uma mudança tecnológica nova, há uma grande mudança na
    economia, isso dura por algum tempo até que se estabiliza e a economia
    começa a sentir os efeitos daquela nova tecnologia, sentindo assim uma
    forte necessidade de uma nova mudança.
    Quanto a ética, podemos dizer que essa evolução trouxe problemas muito
    maiores. Com a facilidade que uma informação circula pelo mundo, e a
    evolução da informação digital,
    somos agora capazes de replicar e transmitir músicas, livros e obras
    cinematográficas através do mundo em questão de segundos.
    E isso gera um forte impacto na economia. Essa replicação e
    distribuição, gratuita ou não, de tais mídias em formato digital
    (processo conhecido como pirataria), é um dos assuntos mais polêmicos
    que a evolução da informatização criou. O que podemos observar é, que ao
    mesmo tempo em que se evoluíram os processos informativos, em cada uma
    de suas evoluções diversas foi criado um problema diferente, indo desde
    a substituição da mão de obra humana, até a substituição da
    comercialização de mídias através de simples linguagens de programação.

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  2. Bem, também teve aquela bolha da internet, que causou o maior quebra-quebra como efeito colateral da "especulação imobiliária" de sites...
    Ah, tem também a filha bastarda entre uma torradeira e uma impressora matricial, que se conecta a internet (se não me engano através de uma JVM) e imprime na torrada a previsão meteorológica!

    O mundo UNIX também sofreu um BOOM com a internet, tornando cada vez mais popular o Linux em contra-partida ao Windows (cada dia mais passada para trás).
    O software livre, através da grande função de copicola de bytes da internet, também conseguiu se expandir para muito além dos meios acadêmicos, e um dia vai conquistar o mundo dos PC's se a Microsoft não mudar de conduta e paradigma rapidamente!

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  3. No final da década de 70, com a crise do petróleo, a economia mundial ficou profundamente abalada, provocando recessão e aumento de inflação nos países de primeiro mundo.

    Foi ainda no final dessa década que houve um avanço muito grande na tecnologia. Novas técnicas de produção foram desenvolvidas, além do desenvolvimento teccnológico nas áreas da biotecnologia, robótica, automação, etc.

    O processo de implantação e uso dessas tecnologias poderia significar o reerguimento e surgimento de várias empresas, mas como elas iriam investir (e estamos tratando de investimentos que não eram baratos) se a economia não andava favorável?

    Foi dentro desse contexto que a globalização se tornou parte essencial dos processos econômicos de várias empresas ao redor do mundo: O dinheiro dos investimentos vinha de além das fronteiras nacionais.

    O impulso que o desenvolvimento tecnológico provocou na economia teve um significado muito importante, e isso desencadeou uma série de novos tipos de comércio e áreas que até então eram mal exploradas.

    Esse processo de globalização provoca uma redução na inflação nos países, e essa redução, por sua vez, melhora a distribuição de renda de um país. E foi justamente isso o que aconteceu, e vem acontecendo, com muitos países de terceiro mundo globalizados, como o Brasil.

    fonte:
    http://www.monografias.brasilescola.com/administracao-financas/economia-mundial-apos-globalizacao.htm

    N

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  4. De fato, muitas realizações tecnológicas na área da informática foram efetuadas nas últimas décadas, e a cada ano vemos inúmeras novidades...
    Entretanto, por traz destas bombásticas inovações, por traz de cada passo desse desenvolviemento, a informática "deu seus tombos". Eis abaixo um link com uma série de erros cometidos por nossos queridos colegas de ramo...nada melhor do que aprender com o erro dos outros, não?...

    http://www.brasilescola.com/informatica/as-piores-invencoes-tecnologicas.htm

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