Há alguns anos a ética profissional vem sendo levada bem mais a sério nas empresas. Esse tipo de mudança de comportamento influenciou até mesmo na mediação dos advogados em casos de assédio moral e, mais recentemente, de quebra de sigilo dos computadores utilizados por pessoas sob suspeita.
Cada vez menos profissionais acreditam que suas ações não influenciam na performance das empresas. E cada vez mais eles estão errados. Basta analisar quantas perdas as empresas ainda enfrentam por causa da gestão ineficiente do acesso à internet. Antes disso, por causa da falta de ética profissional no que se refere à navegação na web.
Geralmente o problema tem início no próprio código de conduta das empresas, que não determina claramente o que os funcionários e colaboradores podem ou não acessar durante o horário de expediente. Algumas organizações, principalmente as que contam com suporte terceirizado, chegam a bloquear o acesso das máquinas a sites de relacionamento, como Orkut e MSN. Mas isso só não é nem de longe suficiente para garantir que nenhum hacker invada o sistema e se aproprie dos dados pessoais do usuário e, pior ainda, da empresa.
O Brasileiro está entre os países com maior número de usuários conectados à Internet, e isso tem um lado bom e um ruim: bom por causa da interação com a tecnologia e com o mundo inteiro, entre outros motivos, e ruim pelo risco que isso representa.
Um fato relevante sobre a Internet é o plágio, já que é muito comum as pessoas copiarem o material disponível. "O plagiador raramente melhora algo e, pior, não atualiza o material que copiou. O plagiador é um ente daninho que não colabora para deixar a Internet mais rica; ao contrário, gera cópias degradadas e desatualizadas de material que já existe, tornando mais difícil encontrar a informação completa e atual"(Augusto C. B. Areal) Ao fazer uma cópia de um material da Internet, deve-se ter em vista um possível melhoramento do material, e, melhor, fazer citações sobre o verdadeiro autor, tentando-se, assim, ao máximo, transformar a Internet num meio seguro de informações.
Nesse consenso, o usuário da Internet deve ter um mínimo de ética, e tentar, sempre que possível, colaborar para o desenvolvimento da mesma. O usuário pode colaborar, tanto publicando informações úteis ou melhorando informações já existentes, quanto preservando a integridade desse conjunto. Ele deve ter em mente que algum dia precisará de informações e será lesado se essas informações forem ilusórias.
Será que as pessoas pagariam se as músicas, filmes e alguns softwares fosse mais baratos? Algumas evidências levam a crer que as pessoas estariam dispostas a pagar se o preço fosse mais razoável. Um exemplo é o mais recente disco da banda inglesa Radiohead. O grupo - gozando de um status diferenciado em relação à maioria dos outros artistas, já que tem uma carreira consolidada - resolveu abrir mão de gravadoras e lançar seu disco na internet. Além disso, ofereceu aos fãs a opção de pagar pelo disco a quantia que desejassem. O resultado foi que a banda faturou cerca de US$ 10 milhões. Outro exemplo é o pujante cinema nigeriano (1,2 mil filmes por ano). Até poucos anos, a pirataria imperava no mercado do país africano. Os produtores acabaram conseguindo baratear tanto o preço do DVD que a pirataria se extinguiu e, atualmente, a imensa maioria das cópias vendidas pelas ruas são legais. O problema da pirataria é um problema de demanda e oferta. Se você tem um produto caro, você tem que baixar para ele vender. O valor do produto simbólico ainda persiste, o que pesaria na hora da escolha.
O que acontece no Brasil? Não precisa ser um professor de filosofia ou um sociólogo para reconhecer que nós somos tolerantes com a ilegalidade, tolerantes até emais. São raras as pessoas que sentem-se culpadas por ter um software pirata instalado em seu computador. Sentimos-nos culpados por usar o Windows pirata? É evidente que a ineficiência do Estado nesse ponto é talvez a principal causa que leva as pessoas a não obedecerem às leis. Por certo, a ilegalidade funciona em nosso país como um incentivo. Em nosso meio, a ilegalidade é mais vantajosa. Se o contra-incentivo à ilegalidade - que seria o reconhecimento de que ela é menos vantajosa que o comportamento dentro da legalidade - conta menos na ponderação das conseqüências da ação, a tendência natural é que as pessoas se sintam estimuladas a não respeitarem as leis. A probabilidade de uma ação ilegal não ser punida é um convite à sua prática.
É o Jeitinho Brasileiro.
Referências:
www.wikipedia.org
http://agguinaldopavao.blogspot.com/
http://www.clicrbs.com.br/zerohora/
http://www.administradores.com.br/noticias/etica_profissional_e_seguranca_das_empresas/19912/
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
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Um grande incentivo à pirataria vem desde que a criança é jovem, quando o pai compra um DVD pirata de um vendedor da esquina do trabalho que faz um preço especial para o "cliente".
ResponderExcluirUm problema grave, como citado acima, decorrente do "jeitinho brasileiro" de querer resolver as coisas empurrando com a barriga e de sempre querer se dar bem com a situação.
Tal exemplo de ética, ou melhor, da falta dela, quando o agente não reflete sobre se é bom ou ruim o que é feito, mas faz por ser mais conveniente, é mostrada para a criança desde a sua formação mais básica. O problema está tão enraizado em nossa cultura que até mesmo em LAN Houses, locais que, supostamente, precisariam de alvará de funcionamento, o dono do estabelecimento instala o Windows pirata sem a menot preocupação com a viscalização.
No entanto, façamos uma grande distinção entre os "pirateadores" e os "retransmissores". No contexto, o pirateador é aquele que usa do que já foi feito para ganhar lucro com aquilo, seja vendendo softwares piratas, cópias de CD's e DVD's, etc. O retransmissor é aquele indivíduo que, tendo o material, seja ele cultural (livro, revista, CD de música, DVD), software (jogos eletrônicos, aplicativos desktop, sistemas operacionais), de alguma forma transmite esse tal material para algum terceiro, seja na forma de empréstimo (mais comum para coisas físicas, como livros ou cartuchos de vídeo-game) ou cópia (mais comum em coisas que são conjuntos de bits e bytes, como softwares ou DVD's); nesse caso, o retransmissor está apenas passando o material para outrem, que se mostra interessado, sem NENHUM lucro com isso. Por ventura, o que pegou o material retransmitido adquire uma cópia do material (legal ou não).
Como citado acima, o acesso inadequado a internet durante o horário de expediente é problema para eficiência da empresa, isso é um problema tão comum atualmente que muitas empresas preparam o computador para o funcianrio ultiliar dentro do cercado o qual este está perimtido acessar. O windows é um exemplo disso (contas de administradores e contas de usuário).
ResponderExcluirNo entanto, o conhecimento do manegamento da máquina está tão difundido, que qualquer um, com um pouco de conhecimento, sem muitas dificuldades pode burlar o bloqueio do sistema. Eu costumo chamar este tipo de situação de solução rápida e inconsistente, é o mesmo que um pai colocar o vidro de veneno de rato no alto da estante, para que seu filho não possa pegar, ou seja, é muito mais fácil esconder o vidro de veneno do que sentar com seu filho, conversar com ele e convence-lo de que não é uma boa ideia mexer com o veneno, na pressa em que vivemos nos dias de hoje, é mais fácil uma empresa bloquear o acesso do que discutir as desventagens não dar atenção a coisas não rentáveis a empresa dentro do expediente.
É interessante a maneira como a 'ética profissional' é descrita por alguns: "um conjunto de normas de conduta que deverão ser postas em prática no execício de qualquer profissão".
ResponderExcluirAcontece que algumas profissões apresentam uma ética definida sobre questões relevantes que às vezes ultrapassam o campo profissional em si, como o homossexualismo, aborto, dentre outras questões morais e éticas que pedem uma boa reflexão, inclusive do profissional que, como um ser pensador, se debruça sobre elas independentemente de sua profissão.